Advogado deve indenizar Alexandre por ofensa em júri

Advogado é condenado a pagar R$ 50 mil a Alexandre de Moraes por difamação durante julgamento no Fórum de São Paulo.

Advogado deve indenizar Alexandre por ofensa em júri

Celso Machado Vendramini, advogado criminalista, foi condenado a pagar R$ 50 mil de indenização por danos morais ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. A condenação ocorreu após Vendramini, durante sessão de júri, chamar Moraes de "advogado do PCC", uma acusação que gerou impacto jurídico e social significativo.

A decisão foi proferida pelo juiz Fauler Felix de Avila, da 39ª Vara do Foro Central Cível de São Paulo, que considerou que a declaração extrapolou os limites da plenitude de defesa e violou os direitos de personalidade do ministro.

Contexto da declaração e julgamento

O episódio aconteceu em 12 de junho de 2023, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Vendramini, que atuava na defesa de réus, fez a afirmação como parte de sua argumentação no tribunal do júri. O Ministério Público contestou imediatamente a fala, solicitando que fosse registrada em ata. Além disso, Alexandre de Moraes apresentou mídias com áudios da sessão como prova material.

O advogado argumentou em sua defesa que usou a referência ao ministro apenas como uma "retórica exemplificativa", sem intenção de difamar. Contudo, o juiz rejeitou essa alegação, ressaltando que a acusação era inverídica e ofensiva, atentando contra a honra de Moraes.

Decisão judicial e fundamentos

O magistrado destacou que, embora a liberdade de expressão seja um direito fundamental, tal garantia não pode ser distorcida para justificar ofensas pessoais. Ele entendeu que as acusações contra Moraes, além de infundadas, carregavam tom ideológico e político, o que agravou o impacto.

A sentença também considerou a especial gravidade das declarações devido à relevância do cargo de Alexandre de Moraes, que à época era presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A afirmativa, segundo o juiz, possuía tamanho potencial ofensivo que o dano moral foi classificado como "in re ipsa", ou seja, presumido pela própria conduta.

Questões jurídicas levantadas

O conceito de "exceção de notoriedade" foi uma das alegações de defesa apresentadas por Vendramini. Ele afirmou que se tratava de um fato de conhecimento público, diminuindo a gravidade de suas declarações. O juiz, entretanto, rejeitou essa tese, apontando não haver previsão jurídica que sustentasse a extinção do caso com tal argumento.

Ainda, segundo a sentença, a indenização de R$ 50 mil foi considerada proporcional à gravidade das ofensas e à posição de autoridade do ministro Moraes. Esse valor também levou em conta o status de advogado de Vendramini, que deveria estar ciente das possíveis repercussões de suas palavras.

Repercussão e reflexões

A condenação levantou debates sobre os limites entre a liberdade de expressão e a responsabilidade jurídica por declarações, especialmente no ambiente do tribunal do júri. O caso também reacende discussões acerca de manifestações com viés político em debates jurídicos.

Celso Vendramini, advogado criminalista e ex-candidato nas eleições de 2018, enfrenta questionamentos à sua conduta e, apesar de a decisão admitir recurso, a ampliação da discussão sobre a ética nas atuações advocatícias em contextos sensíveis foi inevitável.

Além de punição individual, o episódio reforça o entendimento jurídico de que manifestações públicas, mesmo em plenários, devem respeitar os limites legais e éticos.

Leia também:


Advogado deve indenizar Alexandre por ofensa em júri

Redação
Redação jornalística da Elias & Cury Advogados Associados.

Você pode gostar também

Leia outros artigos

Juiz do MS será investigado por venda de decisões judiciais

Juiz do MS será investigado por venda de decisões judiciais

Por • Publicado em 12 de junho de 2025

Juiz de Mato Grosso do Sul terá um processo disciplinar no CNJ para apurar suspeita de venda de decisões judiciais.

Leia mais
Congresso amplia penas por crimes contra juízes e membros do MP

Congresso amplia penas por crimes contra juízes e membros do MP

Por • Publicado em 9 de abril de 2025

Congresso aprova aumento de penas para crimes contra magistrados e membros do MP, reforçando a proteção aos profissionais.

Leia mais
Tribunal mantém condenação por stalking contra ex-patrão

Tribunal mantém condenação por stalking contra ex-patrão

Por • Publicado em 30 de março de 2025

TJ-PR confirma condenação de homem por stalking contra ex-patrão. Pena estabelecida é de reclusão em regime aberto.

Leia mais

Contato

Use os nossos canais de comunicações!

Telefone
+55 11 3771 3100

Endereço
R. Edward Joseph, 122,
CJ 34 – Morumbi – SP







    [cf7-simple-turnstile]

    * Todos os campos são necessários.